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O quarto do exílio - Elaine Fonseca


Na sala de estar não havia muitos objetos. A verdade, é que só havia uma cadeira de vime já desbotada pelo tempo, uma mesa capenga e um único prego na parede. Com uma luz meio esverdeada, o ambiente parecia mais surrado do que realmente era e a lâmpada esbranquiçada remetia à um hospital abandonado. Foi ali, naquele cafofo, que Carmem aportou pela primeira vez em meio à selva de pedra. Olhou o quartinho sujo e puído, deu um sorriso de canto de boca. Colocou a mala antiquada no chão e dela retirou um quadro. Os olhos dela brilharam quando fixou o objeto no prego. Afastou-se para ver melhor como a peça   ficara. Era um poema do Vinícius e, naquele exílio, seria seu hino e a sua pátria seria íntima, como nos versos do mestre.

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