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Gentileza em tempo de selvageria - Lorena Santos




Plantar gentileza em tempos de selvageria
Escolher o sim ou o não
Perceber que o verde das folhas não é um único verde
Cada uma em suas nuances, suas finas curvas e linhas
Como rugas que caminham em nossas faces
Cada tom, bandeira, água, amarelado
Como os envelopes de cartas de um primeiro amor
Eterno em devaneios
Leve em bolhas de sabão

E o não saber o que é reto, o que é correto e certo
se não o íntegro de si
que é nada além da matéria do sonho
e o concreto do desejo
e do sexo.

Essa busca pelo que é lá no fundo de si
Que salta daqui para ali
Que não sabe mais ser contido em um continente
oco que um dia coube o mundo
Hoje vazio e entupido
Como se pudesse ser tudo ao mesmo tempo que vácuo

O ontem e o amanhã
no mesmo barco
porque não se sabe o que é um ou o outro
E toda essa história de sim e de não é tão balela
quanto essa ideia de gentileza em tempo de selvageria
Suportaria talvez um dia?
Duraria quem sabe o sopro de uma vela
esse amor eterno  em fantasia

Leia também em: https://innerbabel.blogspot.com/2018/11/gentileza-em-tempos-de-selvageria.html

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