Pular para o conteúdo principal

A Bailarina - Elaine Fonseca



Olhava para os pés descanços com um olhar vazio e incoerente. A única coisa que sentia era a dor. Calejados, os dedos da bailarina eram esgarçados como as cordas de um piano velho. Nada tinham de belos aqueles pés e ela bem o sabia. Calçou as sapatilhas brancas, amarrou-as com a destreza de alguém que fazia aquilo há séculos.

3….2….1...e pliè, e um, dois e três. Ela levantou-se como uma boneca de corda e o olhar adquiriu uma tonalidade vívida. Entrou na dança saltitando lindamente, como uma garça graciosa. Apesar da dor imensa, ela sorria enquanto rodopiava perfeitamente diante do espelho imenso. Era ali, em meio à dança, que ela se sentia pertencer, viver, respirar. Como uma bailarina dentro de uma caixa de música que só se ergue para girar ao som das notas do cilindro.

Comentários

Postagens mais visitadas deste blog

The kind of person who lights candles - Lorena Santos

  I am the kind of person who lights candles. This is now, not then. it is a recently acquired habit, one that has done me well. I light up candles every day. In the beginning of each class I set up an intention, I focus and I light the candle. I ask myself to be the light, to be the container, not the conduit. I am now the kind of person Who walks barefoot on the grass of my backyard and lets herself shower in the improbable rain of Brasilia in May. The four elements rest now on my desk making my therapist smile when told about them, making her proud of myself and my journey. I am the kind of person that feels the connection with the elements, and nature and the universe, so new. I am again a newborn being. And it is not the first time, I have once died and it’s no secret. This time, however, I did not have to die. I had only to shed the old skin, the one who served me no more. I am still the kind of person who looks in the mirror and who wonders who this new being is. This new s...

Brasília - 1993 - Cecília Aprigliano

Brasília foi uma grande surpresa em minha vida. Outros rostos, outra paisagem.  A minha vinda para Brasília teve um gosto de festa. Estava com medo, mas a novidade de tudo me fazia ficar tão atordoadamente feliz.  Brasília era um mundo de horizontes em todos os sentidos. No geográfico, no emocional e no profissional. A geografia era obviamente tão distinta de tudo que eu estava acostumada, mas era maravilhoso. O sol brilhava muito forte, a luz entrava nos olhos e no nosso corpo de uma forma quase revigorante. Recordo-me do dia que cheguei : a o sair do aeroporto a luz do sol invadiu  meu  corpo, através dos olhos, que não esperavam uma luminosidade tão intensa.   Fui tão bem recebida pela Brasília de amplos horizontes e por amigos queridos. Ia caminhando pelas superquadras com a certeza de que podia viver ali.  A minha profissão  ia crescer aqui, mas eu ainda não sabia.  Logo na chegada procurei colegas de profissão para entender as mi...
 Água sólida, Água líquida, Água gasosa;  Água viva, Água morta, Água parada;  Água doce, Água salgada, Água que me faz viver a cada passada;  Água do rio, Água neutra, Água do mar;  Água desperdiçada Água suja Água que cai em pé e corre deitada;   Água pura, Água tratada, Água reutilizada;  Água, Água,...,  Água, Água….,   Água que deságua no lago paranoá  Água cristalina,  Água do céu;  “Água de beber camará”