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Rio Valsa - Lorena Santos

Um rio separa,
Divide,
O que é jovem e o que é antigo 
O novo se vê no velho 
E o que é novo envelhece a cada dia

Muda assim o novo 
Mistura-se
A esse antigo 
Que se transforma 
Um rio nunca é o mesmo rio

Os tristes sapatos permanecem 
À beira do gélido rio
Sapatos sem pés que os calcem 
Nunca mais
Corpos levados pelo rio

O rio não é mais o mesmo
Não corre mais sangue 
Nesse rio valsa
Que separa e mescla 
O que envelhece e rejuvenesce
O que é brasa adormecida  
E intensa chama
Rodopia, valsa!
Rodopia, rio!
Rodopio eu

Um rio atravessa
Corre 
Sinto seu movimento,
Sua correnteza
Leva-me, hoje,
Cinzento rio
Em sua valsa azul 

Choro e sorrio
Do que foi,
Do que será
Mas o que é,
Apenas é,
É um rio
E todo o rio segue
Urgente 
Para o mar


Também em: http://innerbabel.blogspot.com.br/2016/02/rio-de-valsa.html

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